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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Senhor, Olhai pelo meu amigo!
Que as pedras sejam removidas do seu caminho,
Que tenha forças para carregar seus fardos,
Que encontre coragem para resistir ao mal,
Que possa ver o amor em todos os seres,
Que seja abraçado pela lealdade,
Que encontre conforto e saúde se estiver doente,
Que seja próspero e saiba partilhar,
Que tenha paz cobrindo seu espírito,
Que sua mente obtenha os conhecimentos,
Que use sabedoria para aplicá-los,
Que saiba distinguir o Bem do mal,
Que tenha Fé para manter-se forte na dor.

SENHOR, Olhai pelo meu amigo!
Protegei cada passo que ele der,
Que a cada novo dia ele aceite o novo,
Que saiba alegremente comunicar novidade,
Que Vos sinta em todos os momentos
E que tenha o Vosso colo por toda a Eternidade!
Amém.
Fizeram-te óleo e me fizeram água. Jogaram-nos em um recipiente vazio, balançaram, sacudiram. E aí? Cadê a mistura? Esperaram, dormiram e desistiram de nós. Pensavam que nunca iríamos nos dá. Você com uma densidade incrível, cheiro impregnante, sabor aguçante. Eu límpida, inodora, insípida. Diferente, não? Opostos. Por mais que fiapos teus quisessem misturar-se aos meus, era quimicamente impossível. Pesos diferentes. Mesmo implicando com a ciência, fomos incorporando um ao outro. Era improvável, incoerente demais. Como poderia? Água e óleo. E eu te doei um pouco da minha insipidez, tu me doastes um pouco de gosto. Teu cheiro incorporou na minha composição. Agora somos um equilíbrio forjado. Tentam nos lembrar que somos compostos em desequilíbrio. E daí? Eu vos digo. Não me importo. Não nos importamos, pois nossa mistura é boa demais junta. Não quero misturar-me com uma cópia minha, água com água, qual a graça? Diga-me que proveito eu tiro disso? Gosto do líquido confuso que formamos. E por mais que tentem nos alertar dessa loucura, gritamos sem medo: Deixem-nos assim! Diferentes, diluídos, únicos.
''A gente combinou que não mentiria para o outro. E eu não posso te dizer que vou te amar pra sempre. Estaria quebrando o contrato. E não quero te ouvir dizer que me quer pra sempre. Não gosto de identificar uma mentira em meio a todo o resto que considero verdadeiro. Quero sim ouvir eu-te-amo. Muitos deles. Mas preciso ter a certeza que cada vez que um eu-te-amo sai da sua boca foi porque, naquele exato momento, você está me amando muito. Porque cada eu-te-amo que solto, vem naqueles momentos em que o amor é tão grande, que não cabe dentro de mim. Não cabe também dentro dos beijos. Nem dos carinhos. E aí ele pula pra fora, verdadeiro e explosivo.
Não consigo imaginar o dia em que não mais amarei cada pedacinho seu.
Hoje eu vibro com cada uma dessas coisas que me fazem te amar. E sei que te amo porque você tem a capacidade de fazer cada célula do meu corpo vibrar como ninguém mais conseguiu. Mas não posso te dar o que não possuo – o meu amor futuro. E talvez a incerteza do sentimento – do meu e do seu – seja justamente o combustível do meu amor. Sei que amo hoje. E sei que você não me pertence. Sei que estamos juntos nessa trajetória emocionante da vida porque assim queremos. E que assim seja enquanto as mãos dadas nos fizerem felizes!''
Me diz... Me diz como explicar o que ninguém consegue entender? Eu tento falar e as palavras ficam mudas. Eu tento imaginar e os olhos ficam úmidos. Eu tento simplificar e é tudo tão complexo significativo. É que tu sempre foste o que me foge do entendimento, o que meu raciocínio não acompanha, o que me fascina e aconchega.
Minha parábola mais que oscilante. Eu sei, fugimos às regras. Não sei explicar e, ainda assim, tu sabes entender porque és o amor que quase nunca sinto e a eternidade que nunca questiono.
Por que esse amor todo assim em mim? Parece ironia, brincadeira. Parece um desafio sentir algo tão grande e saber como administrar. Eu que espalho minha felicidade por aí e não sei me encontrar em quase nenhum lugar. Eu que emudeço em silêncio e calo minhas feridas no mais fundo de cada lágrima que quase nunca cai. Choro, esperneio, grito, rebelo. Faço tudo em silêncio, é uma confusão aqui dentro, tu sabes. E sinto que ouves meu barulho, escutas minhas guerras.
E sabe o que eu começo a pensar? Que eu não sei amar. Não sei, não... Naquela minha velha mania de extremos, eu te amo além do que enxergo, escrevo, narro, até do que sinto. Não sei o que fazer com tanto-tudo e então faço essas tortuosidades, vou cometendo uns erros vazios. Fico assim: como uma criança perdida em loja de departamento entre tantos setores distintos, é tanta cor! Me perco entre cabides, placas, luzes, mas não demoro, me encontro. Volto. Volto pra ti porque encontro minha casa, onde tá meu coração. Pelos dias em que eu fui por tempo demais e o medo te tomou, peço desculpas. As crianças gostam mesmo de correr por aí, soltas demais, mas cansam. Cansam sempre e é necessário ter uma casa para qual retornar.
Se fico parada diante das nossas mudanças é pela tranquilidade que nossa certeza me dá, por ter paciência e saber esperar os meus, teus, nossos momentos nos tempos em que eles vêm sempre. Adquiri a calma necessária e só quero te ver feliz, nos ver feliz, no caminho que for e eles se entrelaçam sempre que eu sei.